Paula Vellozo

crítica crítica

Alex conheceu Paula em 1997 quando compartilharam o mesmo stand na 2ª CD EXPO no Rio de Janeiro (na foto ao lado é possível ver o minúsculo stand ao fundo).
Ela havia vindo de Bauru onde residia, no interior de São Paulo e contava com a exposição como forma de divulgação, mas conseguiu muitos bons contatos que podem ser conferidos em seu segundo disco.

Em COMENDO VENTO COM SAL, teve várias participações especiais, como Lenine, Marcos Suzano, Simone Guimarães e ... Alex Saba. Além de tocar na faixa "Tom Cigano", Alex arquitetou a capa e as fotos feitas no Rio

Paula é uma artista atuante, com uma agenda de shows bastante apertada. Se você ainda não teve chance de ouvi-la, experimente clicar sobre ela na foto ao lado, para uma pequena amostra de sua voz. A música é a que abre seu primeiro disco: "Meu País" ou o remix de "Tom Cigano" (abaixo).

Paula e Alex na CD Expo RJ em 1997
O segundo CD
Comendo Vento com Sal

Tom Cigano (Alex Saba remix)

Esta crítica, publicada no Jornal Bom Dia em 9/12/2006 traduz muito ou melhor, tudo...

Vento, sal e sons
Segundo disco da cantora Paula Velozo sai do forno e Bauru recebe amanhã (10/12/2006) o show de estréia no Teatro Municipal

Dominguinhos, Banda Mantiqueira, Lenine, Marcos Suzano, Lui Coimba, Alex Saba, Simone Guimarães, Funk Como Le Gusta, Tribo Terra e algumas dezenas de amigos músicos de Bauru e região. Paula Velozo finaliza o CD “Comendo Vento com Sal” e apresenta amanhã ao público de Bauru e região o seu segundo rebento musical.

Foi uma gestação de mais de cinco anos que envolvia a agenda atribulada não só dos convidados, mas da própria cantora, que viajou o país num pacote de shows nacionais com uma rede de cachaçarias. A falta de dinheiro para bancar o projeto independente de R$ 30 mil, contratempos pessoais e até a mudança de endereço de Bauru para a capital paulista adiaram a conclusão do CD.

Mas o resultado é um disco que veio com muito mais requinte que o álbum de estréia “Coração Mambembe”, lançado em 1996.
“Este segundo disco nasceu da euforia que o primeiro me proporcionou. Era tão despretensioso e me abriu tantas portas”, orgulha-se a artista.
A falta de pretensões desbancou 1,2 mil trabalhos e a levou a disputar o prêmio Sharp de artista revelação.
A notícia e sua música correram o trecho dos produtores, músicos renomados e dos bares que lhe abriram as portas.
O trabalho mambembe para o segundo disco começou já em 97, quando Paula particpou da Expo CD no Rio de Janeiro, dividiu estande com Jorge Vercillo e conheceu o guitarrista e tecladista Alex Saba, que elogiou em artigos seu trabalho inicial e fez questão de incentivar e participar do novo trabalho. Além de tocar, é ele quem assina as fotos feitas no Rio de Janeiro e a arquitetura da capa de “Comendo Vento com Sal”, uma referência aos versos de Antônio Costa na faixa “Abelardo”.
O disco traz uma Paula Velozo mais madura, com vocais precisos e cheios de personalidade.
As 15 faixas expõem uma mistura de ritmos tipicamente brasileiros: samba, choro, forró e congada, num trabalho muito homogêneo.

Um dos principais desafios de Paula Velozo foi a escolha das canções que integrariam o segundo trabalho. Com a notícia do projeto entre os amigos da música, ela começou a receber obras a cada semana. Foram 100 durante um ano. “Ouvi minha intuição e o que gostava eu separava”, revela. “O único critério era ser inédito e parecer com o meu trabalho de bar.” À primeira audição, ela acertou. O disco começa com ritmo em “O Abadá”, dos bauruenses Erino Guilherme, do Auê Trio e Ethmar Filho.

Na segunda faixa, a vinheta gravada no Centro Pai Jacó, pelo percussionista Alex Dias e um coro de mães de santo, fez Lenine ficar orgulhoso com a regravação de “Quilombos”, música que lançou o premiado músico pernambucano em São Paulo. Com a obra, ele venceu a Fempop de Avaré.
Os amigos do Tribo Terra, de Barra Bonita Marta e Gilberto Nascimento emplacam as faixas “Tom Cigano” e “Puramente Misturado”.

“Vem cá me dá”, de Simone Guimarães, é duplamente contemplada: além da participação da autora nos vocais, é Dominguinhos quem vai no acordeon. O toque de sua sanfona se repete no xote “Mãe Natureza”, de Roberto de Oliveira.

A parceria com Alex Lima, que tocou baixo no primeiro álbum de Paula, é retomada, bem como com a poesia do músico Henrique Rosa, de Piratininga, que assina “A náusea”. Mas é no naipe de metais que o som faz diferença. O disco traz os bauruense Márcio Negri no sax e Tiquinho no trombone. Tiquinho trouxe o trompete de Reginaldo 16, do Funk Como Le Gusta. E como se não bastasse, o trio Walmir Gil, François de Lima e Proveta, da Banda Mantiqueira, empresta o fôlego.

27/11/2006
Luly Zonta (luly.zonta@bomdiabauru.com.br)

 

O primeiro CD
Coração Mambembe
   

Em 1998 escrevi um comentário (para uma revista na Internet) sobre o CD, lançado em 1996 pelo selo NOMADE e transcrevo-o aqui embaixo.

"Antes de mais nada é um trabalho corajoso. Todas as músicas são de compositores (homens, bem entendido) o que apresenta algumas dificuldades de tonalidade contornadas por ela e NORBA MOTTA (seu arranjador e multi-instrumentista) com maestria. Na linha coragem, o CD abre com a bela e difícil MEU PAÍS (Ivan Lins/Vítor Martins), cantada com uma dolência (que você(s) pode(m) checar no áudio da semana) de quem passeia pela estrada. Depois temos NUMA BOA (Gilson Dias), já mais balançada e com algumas dobras de voz (ela grava mais de uma vez a voz) de Paula e um gostoso solo de sax de Adriano Almeida; ALEGORIA (Henrique Rosa), onde Paula mostra um belo domínio dos agudos e não nos força a ouvir gritinhos histéricos como certas cantoras modernosas; FOGO SELVAGEM (Cláudio Fazzio/Joaquim Mattar) é um "quase" bolero bem dançante; ESTAÇÃO DA LUZ (Alceu Valença) é puro Alceu (aqui impressiona a precisão de Paula); CORAÇÃO MAMBEMBE (H.Rosa/Amadeu Carlete/Luiz Piquera) é uma balada que faz a voz de Paula passear pela escala sem ferir nossos ouvidos; IPÊ (G. Dias) é um samba-gafieira à moda Djavan daqueles que a gente se perde quando tenta acompanhar a letra; SAMAMBAIA (H. Dias) é um...um...mambo? xote? fox-trot? Não importa mais uma balançada prá galera dançar; ZÉ CAIPIRA (G. Dias) é um rockinho (sem preconceito), onde "ela" assume sua terra natal. CORAÇÃO DA AMÉRICA (Cláudio Fazzio/Binha) que é outra com um balanço "DJAVANEADO". O CD fecha com AUTO RETRATO (George Vidal) onde Paula divide os vocais com GILBERTO e GUSTAVO Pupo e MÁ VELLOZO. (...) Como deve ser meio difícil encontrar o CD dela por aí, aqui vai o email e o telefone onde você pode obter melhores informações de onde acha-lo: pvellozo@uol.com.br ou (0xx14) 230-5944."